






Situada sobre um troço muito acidentado do vale
do Rio Rabagão, a Ponte da Misarela
encontra-se construída num local de muito difícil
acesso e onde nos dias de Inverno a corrente
atingia proporções assustadoras. Facilmente se
compreende que a existência de uma ponte em
tão medonho local tenha dado origem a lendas e
crenças, como a de que só o diabo conseguiria
aqui construir uma ponte. Uma das lendas
referentes a esta ponte envolve precisamente o
diabo, um viajante e um padre do Barroso. O
viajante pretendia transpor o Rio Rabagão e
como não encontrasse forma de o fazer, terá
invocado o diabo, prometendo-lhe a alma a troco
de este o conseguir fazer passar para o outro
lado. O diabo apareceu e eis que surge a ponte,
permitindo ao homem passar para a outra
margem, após o que a ponte desaparece. À hora
da morte, lá veio o diabo cobrar aquilo que lhe
tinha sido prometido. O homem, assustado,
negou-se a cumprir a promessa e chamou pelo
padre que foi em seu auxílio, mas quando
chegou ao rio não o conseguiu transpor.
Seguindo as indicações do homem, invocou o
diabo, que novamente apareceu. Então o padre
aspergiu-o com água benta; foi-se o diabo,
salvou-se o homem e ficou a ponte.
Lendas à parte, esta ponte apresenta algumas
características curiosas. Um dos aspectos mais
notáveis é o facto de não ter alicerces e assentar
directamente nos rochedos que formam a
margem. Talvez pelo facto de estes não se
encontrarem perfeitamente alinhados, a ponte
apresenta um invulgar traçado em curva. Depois
da construção da barragem da Venda Nova, o
caudal do rio ficou regularizado e as poderosas
torrentes ter-se-ão tornado menos frequentes.
Durante as invasões francesas, esta ponte foi
usada pelo exército do general Soult para fugir
das tropas inglesas e portuguesas.
Distrito: Braga
Concelho: Vieira do Minho
Como chegar: na estrada N103, de Braga para
Chaves, pouco depois da aldeia de Ruivães,
vira-se à esquerda para a Ponte da Misarela.
Aqui perto: continuando na direcção de
Trás-os-Montes existe uma igreja românica em
Covas do Barroso.